Centenário de Saramago celebrado na sexta-feira com concerto em Lisboa

Em comunicado, a Fundação José Saramago (FJS) explicou como este concerto foi construído, retomando uma ideia de “há alguns anos” quando, em parceria com a Casa Fernando Pessoa, se “desafiou alguns músicos a prepararem concertos a partir de leituras que tivessem feito ao longo da sua vida, acrescentando a esse desafio o de comporem temas a partir de Saramago e Pessoa”.

Para o concerto de quinta-feira “convidaram-se músicos para darem a ouvir alguns desses temas ou outros que tenham escolhido a partir da obra de Saramago”.

“Um concerto em que a música em língua portuguesa se cruza com a literatura de José Saramago, celebrando a sua obra, celebrando-as”, enfatizou a FJS.

O concerto no S. Luiz conta ainda com a participação de Cristina Branco, em vídeo, Luís Pastor, Mário Laginha, Marco Oliveira, Martín Sued e Marco Santos, Jangada de Pedra, Mitó Mendes, Paula Oliveira, e Rita Maria.

Em comunicado, a FJS – instituída pelo escritor em 2007 -, assinalou que “a relação de José Saramago com a música vem de longe”, desde a infância, “quando subia ao galinheiro [espaço no topo do teatro, por detrás da parte superior do camarote real] do Teatro Nacional de São Carlos, [em Lisboa] por favor de um dos porteiros do teatro, amigo do seu pai”.

O autor de “Memorial do Convento” aprofundou a relação com a música “ao longo da vida através da escuta de compositores diferentes, muitos do universo da música clássica, mas outros, muitos também, oriundos de outros géneros musicais”.

Vários artistas, entre eles Carlos do Carmo (1939-2021) e Mísia gravaram poemas de José Saramago, respetivamente, “Se Não Tenho Outra Voz” e “Nenhuma Estrela Caiu”.

José Saramago é o único autor de língua portuguesa distinguido com um Nobel da Literatura, que recebeu em 1998.

Literariamente, estreou-se em 1947 com “Terra do Pecado”, e cerca de 20 anos mais tarde, em 1966, publicou “Os Poemas Possíveis”.

Fez um intervalo na atividade literária, tendo feito traduções, trabalhado como operário metalúrgico, e coordenado o Suplemento Cultural do jornal Diário de Lisboa, na década de 1970.

Em 1975, assumiu as funções de diretor-adjunto no Diário de Notícias e, em 1980, voltou ao trabalho literário, tendo publicado “Levantado do Chão”.

Saramago conquistou, entre outros, o Prémio Camões, em 1995, publicou 17 romances, além de contos, peças de teatro, ficção infantil, um livro de viagens, “Viagem a Portugal” (1985), “Memórias e Diários”.

Em 1998, o Estado português entregou-lhe o Grande-Colar da Ordem Militar de San’tiago da Espada e, no ano passado, a título póstumo concedeu-lhe o Grande-Colar da Ordem de Camões.

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