Centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís "é exemplo a seguir"

“O que eu sublinharia neste caso, em concreto, é a natureza exemplar sobre a forma como estas comemorações estão a ser organizadas”, afirmou aos jornalistas após a cerimónia do acordo de colaboração que reúne sete municípios e três universidades do norte do país.

O consórcio hoje constituído é liderado pela Câmara de Amarante, de onde é natural a autora, contando com a participação dos municípios de Baião, Esposende, Porto, Póvoa de Varzim, Peso da Régua e Vila do Conde.

As universidades do Porto (UP), Minho (UM) e Trás-os-Montes (UTAD) também fazem parte da parceria, acompanhadas pela Direção Regional de Cultura do Norte, Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte, Fundação de Serralves e RTP.

Aos jornalistas, o governante observou que as comemorações apresentadas publicamente no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso “mobilizam uma parceria com muitas dimensões”.

“O que eu espero é que estas celebrações sirvam de exemplo para o que vai ser necessário nas celebrações de outros autores que se assinalam nos próximos tempos”, acrescentou.

Pedro Adão e Silva prometeu, por outro lado, que “o Ministério da Cultura estará cá para apoiar e ajudar”, mas indicou que “a riqueza, a vitalidade, a força e a capacidade de atualizar a memória destes autores dependerá sempre da forma como a sociedade civil iniciar estas celebrações”.

Por outro lado, o ministro considerou “notável que neste curto período [fase entre as duas guerras mundiais do século XX]” ter havido “vozes tão fundamentais da língua portuguesa e da literatura portuguesa”.

“Na verdade, nós não voltamos a ter outro período com vozes tão pujantes”, reforçou aos jornalistas, sinalizando: “Recordarmos Agustina, Sophia [de Mello Breyner Andresen], Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Ruy Belo, Herberto Hélder, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Luís Pacheco é, certamente, uma forma de ajudar despertar novos públicos para a leitura”.

O governante acentuou ser “fundamental olhar para estes vultos da cultura portuguesa, não como uma reminiscência do passado, mas como um ativo que permite olhar para os dias de hoje e projetar o futuro”.

“Eu assinalei não apenas Agustina, mas o conjunto de centenários que se seguem, dando conta da importância da sua importância para construir o futuro”, concluiu.

Nos termos do protocolo hoje celebrado refere-se que “Agustina Bessa-Luís é autora de uma obra literária de valor ímpar na língua e cultura portuguesas”, constituindo “um património de desenvolvimento cultural, artístico, educativo e turístico que justifica um trabalho e um investimento estruturado de valorização, investigação, mediação e promoção, a empreender pelos poderes públicos e instituições da região norte, de modo desejavelmente articulado e integrado”.

O consórcio propõe-se organizar “uma agenda de iniciativas culturais, artísticas, científicas e de promoção da vida e obra de Agustina Bessa-Luís, no âmbito do centenário do seu nascimento, a realizar predominantemente entre 15 de outubro de 2022 [data do nascimento da autora] e 15 de outubro de 2023”.

O presidente da Câmara de Amarante destacou a importância do momento para a região norte, referindo ter sido “o pontapé de saída entre várias entidades”.

A propósito do “grande empenho” de Amarante nestas comemorações, elogiado pelo ministro, o autarca recordou que o seu concelho, no interior do distrito do Porto, é berço de grandes vultos da cultura portuguesa, como Amadeo de Souza-Cardoso, Teixeira de Pascoaes, Acácio Lino, António Carneiro e a grande Agustina Bessa-Luís.

“É, por isso, muito importante, hoje, aqui estarmos a homenagear Agustina”, exclamou.

Nascida em 1922, em Vila Meã, Amarante, a escritora Agustina Bessa-Luís morreu em 03 de junho de 2019, aos 96 anos.

Destacou-se em 1954, com a publicação do romance “A Sibila”, que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, sendo galardoada em 2004 com os Prémiso Camões e Vergílio Ferreira.

Entre muitas outras distinções, recebeu igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra “Os Meninos de Ouro”, e, em 2001, por “O Princípio da Incerteza I – Joia de Família”.

Foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.

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