Centro Multimeios de Espinho com ciclo dedicado ao cinema de Fellini

Segundo revela à Lusa a direção desse equipamento cultural do distrito de Aveiro, a iniciativa é desenvolvida em parceria com o FEST – Cineclube de Espinho e reserva o grande auditório da casa para as seguintes obras: ‘Os Inúteis’ (1953), ‘A Estrada’ (1954), ‘La Dolce Vita’ (1960), ‘Fellini 8 1/2’ (1963), ‘Julieta dos Espíritos’ (1965) e a ‘Voz da Lua’ (1990).

O acesso a cada filme está disponível ao preço de 4,5 euros, mas o ‘pack’ especial para todo o ciclo custa 21 euros, já que o objetivo da organização é facilitar uma aproximação do público à filmografia essencial do realizador, através de “seis títulos emblemáticos exibidos em todo o seu esplendor”, graças ao restauro das cópias originais.

“Fellini é autor de uma das filmografias mais ricas da história do cinema, tornou-se o cineasta italiano mais aclamado de todos os tempos e foi responsável por criar obras de arte que definiram e influenciaram gerações”, declara à Lusa o coordenador do evento, Nuno Esteves.

Influenciado por “gigantes do cinema como Chaplin, Eisenstein, Rosselini e até pelo trabalho do psiquiatra suíço Carl Jung”, o realizador recebeu o Óscar honorário de 1992, e os seus filmes somaram 15 nomeações da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, tendo conquistado quatro como Melhor Filme Estrangeiro (‘A Estrada’, ‘Noites de Cabiria’, ‘Fellini 8 e ½’ e ‘Armarcord’), “um recorde” nesta categoria, atualmente designada Melhor Filme Internacional.

Em cerca de 50 anos de carreira, Fellini criou um legado que serviu de “estrutura para o cinema moderno”, reforça o coordenador.

“Levou os espectadores, através das suas obras, em direção a novas experiências. A sua visão era tão singular que foi criado um novo adjetivo no vocabulário cinematográfico – o termo ‘felliniano’ – e o seu estilo foi tão inovador que se tornou universal, tendo sido uma inspiração para vários cineastas que o sucederam, tal como o norte-americano Martin Scorsese, que diz rever ‘Fellini 8 e ½’ todos os anos”, revela Nuno Esteves.

A exibição destes seis filmes do realizador italiano representa também o retomar de uma certa normalidade do Multimeios de Espinho, após várias restrições na atividade cultural de todo o país devido à pandemia da covid-19, o que levou a que esta retrospetiva, em específico, não tenha coincidido com o centenário do nascimento de Fellini, assinalado em 2020.

“O ciclo foi uma iniciativa das distribuidoras Risi Film e Alambique, com o apoio da Festa do Cinema Italiano e do Instituto Italiano di Cultura”, refere Nuno Esteves.

“Quando os filmes ficaram disponíveis para agendamento nas salas nacionais, o Centro Multimeios calendarizou o ciclo para novembro de 2020, mas, por estarmos em plena pandemia e com limitações nos horários de funcionamento, optámos por adiá-lo para o início de 2021 e, em janeiro, fomos obrigados a encerrar novamente, o que adiou mais uma vez os nossos planos”, recorda.

Na reabertura seguinte, em abril, a direção da casa equacionou apresentar os seis filmes de Fellini ao domingo, mas Nuno Esteves considerou que “não seria digno um ciclo destes ser exibido aos fins de semana apenas no período da manhã”, e daí a sua aposta em junho, com a iniciativa a arrancar já esta quinta-feira.

Nesse dia, às 16:00 são exibidos ‘Os inúteis’ e às 18:30 ‘A estrada’. Entre um e outro filme haverá também uma conversa sobre essas obras com convidados do cineclube FEST.

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