Compilação antirracista e solidária ‘Labanta Braço’ materializa-se no Lux

A morte de George Floyd, em maio de 2020 em Minneapolis, nos Estados Unidos, e a de Bruno Candé, dois meses depois em Moscavide, concelho de Loures, tornaram “urgente” a vontade que Alexandre Ribeiro, editor da “revista digital sobre música desafiante” Rimas e Batidas, tinha de criar uma compilação musical, e que partilhava com Ricardo Farinha, colaborador da publicação.

“Já andava a pensar numa compilação e nessa altura pareceu-me mais urgente, porque tínhamos um gancho para juntar todas as aquelas pessoas de quem gostávamos da música e que tinham algo que as relacionava a todas, serem negras ou afrodescendentes”, contou Alexandre Ribeiro, em declarações à Lusa.

“Labanta Braço”, disponível na plataforma ‘online’ de música Bandcamp, conta com a participação de mais de 30 artistas, “de vários países, origens, géneros musicais e gerações”, entre os quais Nástio Mosquito, Deejay Télio, Cachupa Psicadélica, Nelassassin, DJ Marfox, DJ Nigga Fox, Doctorado Pro, Macaia, Nídia, Prétu e Slow J.

Os 37 temas são “tudo inéditos”. “Nada estava cá fora antes de sair na compilação. Foi muito generoso da parte deles, não estávamos à espera disso”, referiu Alexandre Ribeiro.

Os artistas tiveram ‘carta branca’ para criarem os temas. “Explicámos o que pretendíamos com a compilação e foi só isso. Era importante deixar um bocado a tela em branco para eles explorarem o que quisessem”, contou Alexandre Ribeiro.

Embora tivessem ‘carta branca’, tendo em conta “o mote da compilação, muitos artistas, e isso nota-se no título de muitas faixas, viraram-se muito para uma mensagem de revolução”, destacou Ricardo Farinha.

A partilha da compilação através do Bandcamp, que permite a compra digital de música, fez com que fossem angariados 850 euros, “que reverteram para um bolo, completado pelo Rui Miguel Abreu, responsável pelo Rimas e Batidas, para se chegar ao valor simbólico de mil euros, doados à [associação portuguesa antirracista] SOS Racismo”.

Ainda em 2020, os responsáveis do Lux-Frágil “mostraram interesse em transportar a compilação para o ao vivo”.

“Pareceu-nos uma ideia excelente, mas com as restrições impostas pela covid-19, a coisa acabou por ficar adiada até finalmente conseguirmos concretizar isto”, lembrou Ricardo Farinha.

Para a noite de hoje, que será dividida em dois momentos — dois concertos e dois DJ ‘sets’ -, Alexandre e Ricardo queriam “fazer um cartaz que fizesse justiça à compilação, mas também levar ao Lux artistas que nunca lá tivessem atuado”.

“Olhámos para a lista de artistas que participaram na compilação, mas não quisemos cingir-nos a ela. A compilação acabou por ter uma natureza instrumental e achamos que o conceito não está preso a música instrumental, e, além disso, há uma série de outros artistas que não produzem, mas são DJ ou até que apareceram nestes últimos dois anos”, referiu Ricardo Farinha.

Assim, hoje a partir das 23:00 haverá concertos de Br!sa, “uma ‘rapper’ nova”, e Wake Up Sleep, “um produtor com alguma história”, e DJ ‘sets’ de Umafricana, projeto da ativista e escritora Sandra Baldé, “que tem dado a dar muitas cartas na cena ‘clubbing’ eletrónica nos últimos meses”, e rkeat, “produtor que tem um passado mais ligado ao ‘trap’, mas que se tem ligado mais à música eletrónica”, que foi “desafiado a fazer uma noite especial, em que ele vai do tarracho ao techno”.

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