Coreografia "Un Tsugi" sobre aceitação da diferença estreia-se em Lisboa

“Este trabalho parte das diferenças e das distâncias para falar da diversidade humana em toda a sua beleza”, disse à agência Lusa o criador, sobre a nova obra, inserida num projeto que inclui também o lançamento de um livro de fotografia.

“Un Tsugi”, que significa “nuvem de ligações”, num contexto de inclusão, em japonês, é um espetáculo de dança inclusiva da Plural_Companhia de Dança, dirigido por Rafael Alvarez e levado ao palco por seis intérpretes, com e sem deficiência, vai estrear-se hoje e tem nova apresentação no sábado, nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa.

A nova criação celebra também os 26 anos desta companhia pioneira em Portugal na área da dança inclusiva, e é coproduzida pela Bodybuilders e pela Fundação LIGA, em parceria com a Escola Superior de Dança e as Carpintarias de São Lázaro.

“Un Tsugi” convoca a prática terapêutica ‘shinrin-yoku’ – expressão nipónica que significa banho (‘shinrin’) e floresta (‘yoku’), literalmente “banho de floresta”.

“‘Tsugui’ é uma palavra muito forte em japonês, porque tem uma ligação ao conceito de incluir”, salientou o criador, cujo trabalho tem o título “roubado” a uma técnica tradicional nipónica.

O ‘kintsugi’, técnica milenar e artesanal do Japão que consiste em reparar e ligar peças quebradas de cerâmica através de uma liga dourada, inspira a origem e título deste projeto: ‘tsugi’, significa reparar, ligar, unir, e é um conceito remetido aqui para os corpos e a resiliência, resistência, ação e ligação, explicou.

Rafael Alvarez recordou também que o seu trabalho naquele país vem já de 2016, com o projeto “Wave”, que deu origem a várias produções, e agora o projeto “Tsugui”, que se traduz neste espetáculo e noutro que irá criar com intérpretes seniores.

“Faço aqui um jogo com as palavras e com a diversidade humana”, disse ainda o coreógrafo, que tem refletido sobre “o lugar do corpo” a partir da sua experiência pessoal.

Esse corpo, inserido no dispositivo coreográfico e cenográfico do espetáculo, coloca, simbolicamente e fisicamente, “a figura das árvores e da inteligência dos ecossistemas florestais como paradigma para pensar no seu lugar e papel do ético, ecológico, poético, político e estético num tempo de emergência climática global, refletindo sobre a herança e a inteligência das árvores, sobre a vida em comunidade, e sobre a diversidade e co-existência de espécies humanas e não-humanas”.

Nascido em Lisboa, em 1976, Rafael Alvarez é coreógrafo, intérprete, cenógrafo, figurinista, investigador e professor, e o seu trabalho coreográfico tem sido apresentado desde 1997 na Europa, América do Sul e América do Norte, Médio Oriente, Ásia e África.

Em 1997, criou seu primeiro espetáculo, “Go rest my love, I close the doors”, um concerto-performance em colaboração com o artista visual Pedro Valdez Cardoso.

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