Costa enaltece Vhils. "Usa a cidade como tela, o mundo como galeria"

O primeiro-ministro António Costa esteve esta quarta-feira na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris, para a inauguração de uma obra única do português Vhils, destacando-o como um “artista do mundo”.

Mais do que celebrar Portugal, através da doação do mural, queremos assinalar os valores maiores da humanidade, que a UNESCO diariamente pratica: o diálogo, a cooperação e a solidariedade entre os povos através da cultura, da educação e da ciência”, afirmou António Costa numa publicação na rede social Twitter, revelando que a ideia de oferecer “uma obra de arte portuguesa contemporânea” à organização surgiu em 2019, “aquando da proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa pela UNESCO”.

Sobre o português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, o primeiro-ministro refere que “é um artista do mundo”, que “usa a cidade como tela [e] o mundo como galeria”.

“Aqui na sede da UNESCO, em Paris, ficará a sua obra, a sua arte. Um mural de 31 metros de comprimento que transforma uma fachada numa peça de arte única, que nos interpela e ganha vida“, salienta o líder do Governo português, agradecendo, por fim, à diretora-geral por “todo o entusiasmo com que, desde a primeira hora, acolheu a ideia e este projeto artístico”.

Recorde-se que o mural ‘Substratum’ da autoria do artista português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, foi hoje inaugurado, tornando-se uma das obras de maior relevância nos jardins da sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), logo em frente a uma estátua do escultor britânico Henry Moore. Há seis anos que este projeto estava a ser preparado, mas só há algumas semanas começou a ser esculpido, um evento “extraordinário” para esta organização.

“Há duas semanas que assistimos a algo extraordinário aqui na UNESCO, a criação de uma obra. Esta obra foi-nos oferecida por Portugal e todas as autoridades portuguesas me falaram com muita paixão deste projeto”, declarou Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO.

Neste grande mural esculpido nas paredes desta organização internacional, o destaque foi para o rosto da fundadora Ellen Wilkinson, uma das maiores impulsionadoras da UNESCO.

“Para mim é importante enaltecer e trazer histórias que ficam nas entrelinhas da História. Um exemplo disso é Ellen Wilkinson, que foi alguém que teve um papel muito importante naquilo que poderia vir a ser a UNESCO, que infelizmente nunca viveu para ver o que nos deixou. E queria trazê-la à superfície, num edifício que a representa também, porque muitos dos valores que aqui estão vêm dela”, disse Vhils em declarações à Agência Lusa.

Ellen Wilkinson, feminista e ministra da Educação do Reino Unido no fim da Segunda Guerra Mundial, presidiu à conferência que viria a dar origem à UNESCO em 1945. Acabou por morrer em 1947, não assistindo ao impacto desta organização no Mundo. 

No mural criado pelo artista português, o rosto de Ellen Wilkinson aparece rodeado por 11 monumentos classificados como património da UNESCO, como a Pirâmide de Gizé, no Egito, a cidade de Ayutthaya, na Tailândia, e também a catedral de Brasília, o único momento lusófono representado. 

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