Edgar Martins aclamado Fotógrafo do Ano dos Prémios Sony 2023

Edgar Martins, vencedor na categoria Retrato, foi selecionado por um júri entre os vencedores das 10 diferentes categorias em competição, tendo-se destacado pela série “A Nossa Guerra”, realizada após uma primeira visita à Líbia em 2019.

Frustrado com a falta de resultados na investigação à morte de Hammerl, raptado e executado por uma milícia governamental, Martins procurou conhecidos e pessoas envolvidas na guerra civil resultante da queda do regime de Mohammar Khadaffi durante a Primavera Árabe.

“Apercebi-me, a partir do momento em que cheguei ao país, de que iria ser muito difícil conduzir ou criar ou desenvolver qualquer tipo de investigação coerente num sítio tão fragmentado e volátil. Decidi então produzir um projeto inspirado, não só na história dele, mas também um projeto que tivesse em conta outras questões mais ontológicas”, disse Martins à agência Lusa.

O fotógrafo português radicado no Reino Unido falava durante a antevisão da exposição das fotografias em Londres, antes de conhecer a atribuição do galardão principal desta edição dos Prémios Sony.

Edgar Martins salientou que, para além de uma homenagem ao amigo, este projeto “fala sobre a dificuldade de documentar, a dificuldade de testemunhar, imaginar e representar a guerra e tempos de guerra”.

“Ao recriar um pouco a viagem do Anton, o espaço que ele tomou, ao ir aos sítios que ele visitou e ao sítio onde morreu, ao encontrar-me com as pessoas com que ele se encontrou e que fotografou, e outras envolvidas no projeto, nomeadamente rebeldes, milícias, todo o tipo de combatentes, militantes, dissidentes líbios, mas também pessoas locais que encenavam as suas próprias histórias, ao encontrar interseções relevantes entre os nossos percursos e também percebendo as motivações por trás do dele, eu creio que fui ao reencontro dele, ainda que brevemente”, disse.

O presidente do júri para a competição profissional, Mike Trow, descreveu o trabalho de Martins como “muito forte, feito de forma deslumbrante”, elogiando a coragem do fotógrafo para viajar até à Líbia para fazer este trabalho, que evidencia os riscos que correm os fotógrafos em cenários de guerra.

“O Edgar é um fotógrafo invulgar. Ele é muito intenso, é muito sério. E o que nos agradou na história do retrato foi que foi retratada como uma memória, uma memória de um amigo, colega fotógrafo. Ele criou uma série de cenários para representar a história do seu amigo”, afirmou à Lusa.

A distinção de Fotógrafo do Ano inclui um prémio monetário de 25.000 dólares (23.000 euros), equipamento fotográfico, e uma exposição individual em 2024, integrada na mostra anual dos vencedores dos Prémios Mundiais de Fotografia Sony.

Edgar Martins adiantou à Lusa que este projeto, que para além de fotografias inclui uma série de outros materiais resultantes da investigação que fez, será objeto de uma exposição no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa.

Cerca de 180.000 fotógrafos entraram na competição profissional dos Prémios Sony deste ano nas categorias de Retrato, Arquitetura e Design, Criatividade, Documentário, Ambiente, Paisagem, Portfolio, Desporto, Natureza Morta e Vida Selvagem e Natureza.

Por exemplo, o britânico Hugh Kinsella Cunningham, vencedor na categoria Documentário, apresentou um trabalho sobre os esforços das mulheres na República Democrática do Congo para manter a paz, o norte-americano Corey Arnold (Vida Selvagem & Natureza) fotografou ursos, coiotes e guaxinins em cidades nos Estados Unidos, e a sul-africana Lee-Ann Olwage (Creatividade) explorou o quotidiano escolar de raparigas no Quénia.

As fotografias que fizeram parte na competição deste ano vão estar em exposição a partir de sexta-feira até 01 de maio na Somerset House, em Londres.

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