Eis o vencedor do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa

“Noites Alienígenas” garantiu igualmente o prémio de melhor ator a Chico Diaz, segundo o palmarés divulgado esta noite pela organização do festival. O filme toma por palco a violência urbana da periferia de Rio Branco, no Acre, interior do Brasil, região mais próxima do Peru e da Bolívia, do que de qualquer grande cidade do país.

No documentário, o Prémio Pessoa foi para “A casa que nos une” (“Uma Halibur Hamutuk”), coprodução luso-timorense dirigida pelo cineasta português Ricardo Dias, que apresenta a história de Mana Lou, fundadora do Instituto Secular Irmãos e Irmãs em Cristo, em Timor-Leste, e o “papel importante” que teve no apoio à população durante a invasão indonésia, como o realizador o definiu em entrevista à agência Lusa, a propósito da exibição da obra no festival.

O filme, centrado no grupo de mulheres daquele instituto, retoma a sequência de acontecimentos durante 1999, desde o massacre de Liquiçá, em abril, ao referendo de 30 de agosto e à chegada das forças de intervenção da paz das Nações Unidas, cerca de um mês mais tarde, que leva ao período de transição e ao termo da ocupação indonésia.

O palmarés da 14.ª edição do FESTin, que teve início a 30 de junho no Cinema S. Jorge, em Lisboa, distinguiu ainda a cineasta brasileira Flávia Neves como melhor realizadora, por “Fogaréu”, e a portuguesa Carolina Torres como melhor atriz, pelo desempenho em “Barranco do Inferno”, do realizador português Fábio Duque Francisco.

Na categoria de curta-metragem, o prémio foi para a produção portuguesa “Monte Clérigo”, de Luís Campos.

Esta edição do FESTin reuniu cerca de 40 filmes de Portugal, Timor-Leste, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e sobretudo do Brasil, que abordaram temas “como o direito à habitação, o racismo e a sexualidade”, segundo a apresentação.

O festival define-se como “um evento internacional dedicado à produção cinematográfica em língua portuguesa, cujo objetivo é fomentar a difusão, a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural entre os países de língua e expressão portuguesa”.

O caráter itinerante do certame levou-o, desde o início, ao Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Itália, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Tunísia, além de diferentes cidades portuguesas.

 

Deixe um comentário