Estudo revela as mais antigas gravuras rupestres dos Neandertais

A gruta La Roche-Cotard, situada na região do Vale de Loire, no centro de França, tem nas paredes uma série de marcas não figurativas que são interpretadas como traços de dedos.

A equipa científica que conduziu o estudo, da qual faz parte o arqueólogo francês Thierry Aubry, que trabalha no Museu e Parque Arqueológico do Vale do Coa, concluiu, a partir da forma, do espaçamento e da ordenação das gravuras, que se trata de marcas organizadas e intencionais criadas por mãos humanas, no caso pelo Homem de Neandertal.

Thierry Aubry disse à Lusa que as gravuras de La Roche-Cotard “são exemplos inequívocos de desenhos abstratos feitos pelo Homem de Neandertal”.

Aubry, que é o responsável técnico e científico do Museu e Parque Arqueológico do Vale do Coa, analisou os vestígios de pedra lascada do interior da gruta cujo método de lapidação é atribuído apenas ao Homem de Neandertal na Europa.

Segundo o arqueólogo, que tem trabalho publicado sobre as gravuras rupestres de Foz Coa, os dados recolhidos “indicam que a gruta não foi frequentada após 57 mil anos porque a sua entrada foi tapada” e só ficou acessível depois da sua descoberta e das escavações no início do século XX.

Os peritos chegaram à datação das gravuras a partir de amostras de sedimentos da gruta obtida pelo método de luminescência oticamente estimulada, muito utilizado na datação em arqueologia, em particular de sedimentos, ao permitir determinar, com base na luz emitida por um processo de excitação ótica, o tempo decorrido desde que os grãos que compõem o sedimento foram expostos pela última vez à luz solar.

A origem humana das marcas não figurativas e espacialmente estruturadas que foram descobertas na gruta de La Roche-Cotard “é suportada por estudos de traçado e experimentais”, adiantou Thierry Aubry à Lusa.

As gravuras revelam, de acordo com os autores do estudo, publicado na revista científica de acesso aberto PLOS ONE, que “o comportamento e as atividades dos Neandertais eram tão complexos e diversos” quanto os do Homo sapiens, homem moderno, refere uma nota da editora da publicação.

Para Thierry Aubry, falta “estabelecer uma relação direta” entre as gravuras e “um dos níveis de ocupação dos diferentes lugares” da gruta pelo Homem de Neandertal e que “poderá ser anterior a 57 mil anos”.

O Homem de Neandertal era de estatura pequena e tinha uma grande capacidade cerebral, embora menor do que a do Homo sapiens.

A sua designação tem origem nos fósseis descobertos no século XIX no Vale de Neander, na Alemanha.

A espécie, dominante na Europa, terá vivido no período compreendido entre 400 mil anos e 35 mil anos.

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