‘Eu falo como um rio’, o primeiro livro ilustrado de Jordan Scott

 

O livro apresenta um rapaz que enfrenta a dificuldade de comunicar e de se expressar, por não conseguir dizer todos os sons das palavras. Na escola tenta passar despercebido, fica “silencioso como uma pedra”, para não ter de falar nem responder ao professor.

“Eu acordo todas as manhã cercado de sons de palavras. E não consigo dizer alguns. As manhãs são sempre difíceis, mas esta é das piores. Estou mais encravado do que nunca” afirma o rapaz.

Nesse dia, o pai leva-o junto a um rio e explica-lhe que ele fala como a água se move, “a borbulhar, a agitar-se, a redemoinhar e a embater”.

A ilustração é do premiado autor canadiano Sydney Smith e a técnica utilizada, em aguarela e guache, acrescenta intencionalidade ao texto poético de Jordan Scott e à caracterização do protagonista. As pinturas mais difusas e imperfeitas identificam a ansiedade do rapaz e a imprevisibilidade do rio.

A meio do livro há uma dupla página ilustrada que se desdobra, revelando o rapaz a mergulhar e a nadar rio, em jeito de aceitação da gaguez.

“Eu falo como um rio” representa um episódio biográfico da infância de Jordan Scott, ele próprio gago, em que o pai lhe transmitiu uma mensagem de aceitação e superação.

“O meu pai levou-me até ao rio para que me sentisse menos sozinho. Quando me apontou as suas águas, deu-me uma imagem e a linguagem para falar sobre algo privado e aterrador. Ao fazê-lo, associou a minha gaguez aos movimentos do mundo natural, e eu fiquei encantado por ver a minha boca mover-se fora de mim”, escreveu Jordan Scott numa nota final dirigida aos leitores.

Recomendado por bibliotecas nos Estados Unidos e no Canadá, “Eu falo como um rio” fez parte das listas dos melhores livros ilustrados de 2020 de várias publicações, e representa a estreia de Jordan Scott na escrita para os mais novos.

Sydney Smith é autor de ‘Ser pequeno na cidade’ – a estreia em nome próprio -, ‘Flores mágicas’, com Jon Arno Lawson, e ‘Town is by the sea’, com Joanne Schwartz, que lhe valeu o prémio Kate Greenanway Medal, em 2018.

 

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