Festival Todos leva música, teatro e dança a Lisboa em setembro

Nesta 14.ª edição, o festival começa mais cedo, e decorre até 11 de setembro, convidando o público a redescobrir a freguesia de Santa Clara, e “a importância das suas gentes para o desenvolvimento da capital”, indicou um comunicado com a programação.

O evento, resultado de uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa com a Academia de Produtores Culturais, tem conceito e direção-geral de Miguel Abreu, e vai atravessar diversas artes de palco, incluindo criações em estreia absoluta de artistas de vários países, e apresentará também instalações, oficinas e gastronomias do mundo.

Este ano, o certame começa mais cedo e fora do seu território-base, partindo do Campo Pequeno, com o projeto “Lisboa Crossing” (França).

Uma dupla de ‘performers’ franceses vai atravessar sete quilómetros de algumas ruas e grandes vias da cidade para desafiar o público a pensar sobre “a importância de [se estar] acompanhado”, e “rever ideias sobre o que e´ o espaço público, o espaço privado e o espaço íntimo”.

Este projeto, em estreia, em Portugal, acontece no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França 2022, e tem autoria e interpretação de Laurent Boijeot e de Sébastien Renauld, com a participação do fotógrafo Clément Martin.

Reunindo cinema e teatro, será organizado o programa ‘Cine-Estrela a Céu Aberto’, com direção teatral de Raquel Belchior e programação cinematográfica de Sérgio Marques, para descobrir filmes de vários países, como ‘Viva las Vegas’, de Roy Rowland (EUA, 1956), ‘Umrao Jaan’ de J. P. Dutta (Índia, 2006), ou ‘O Às vale mais’, de Giuseppe Colizzi (Itália, 1968).

Nos espetáculos de teatro estão previstos, em estreia absoluta, “Não existem cabeças bicudas” (Portugal, e outras nacionalidades), com direção artística de Joana Brito Silva e dramaturgia de Mariana Fonseca e Miguel Jesus, e “Condomínio” (Portugal), com encenação e dramaturgia de Nuno Nunes.

‘As mãos das águias’ (Portugal, Moçambique), com encenação de Miguel Jesus, e ‘Une historie bizarre’ (várias nacionalidades), com direção artística e encenação de Júlio Martin, também estão no programa.

No circo, apresentam-se, entre outros, os espetáculos ‘Rêverie’ (França e Noruega), uma criação de Thomas Guérineau inspirada e construída em Moçambique, e ‘Violeta’ (Espanha), do coletivo La Persiana e da banda Venancio y los Jóvenes de Antaño.

A música irá marcar presença através de ‘Gira Gira’ (Portugal), com direção musical de Pedro Salvador, a Orquestra de Batukeiras de Portugal e Fio à Meada (Cabo Verde e Portugal), com adufes e tambores.

Inclui ainda o concerto ‘Kokamusa’ (Angola e Portugal), no contexto da instalação ‘Kokawusa/Estendal’, que se estende por um dos relvados do Jardim do Campo das Amoreiras, e a Orquestra Todos com Selma Uamusse.

A dança será representada pelo espetáculo ‘Uns com os outros’ (Brasil e Portugal), com direção de Gustavo Ciríaco, e “El Duende Flamenco” (Espanha e Portugal), uma estreia absoluta criada e produzida pelo Teatro Gíria, protagonizado pelo bailarino luso-espanhol João Lara, com acompanhamento de músicos espanhóis e portugueses, numa recriação do ambiente de um ‘tablao’ tradicional.

‘Ulisses – Desembarque em Santa Clara’ é o título da exposição de fotografia de Valentina Vannicola, resultado de uma residência artística em Santa Clara, que originou uma série de sete “quadros vivos” em sete cantos da freguesia, com a participação de várias pessoas da comunidade local.

A instalação ‘Quando as paredes falam’, com conceção e coordenação de Marta Pedroso, será o resultado final de um projeto participativo que pretende dar a conhecer as memórias daqueles que habitaram e conheceram por dentro o Palácio Marquês do Alegrete.

Estão ainda previstos itinerários e passeios culturais, e oficinas sobre plantas e pós de pintar, acrobacia, e comidas do mundo elaboradas por imigrantes residentes em Lisboa.

Outro projeto que regressa é ‘O Plano’, iniciativa que cria 30 espaços comunitários de partilha de saberes para promover os valores da igualdade, civismo, soberania, participação e autossustento.

Leia Também: Boom Festival regressa a Idanha-a-Nova com nova edição em 2023

Deixe um comentário