Filme ‘A Pequena Sereia’ é uma "confeção completamente original"

O artista, que falou numa conferência de lançamento do filme da Disney em Los Angeles, considerou incrível a experiência de trabalhar com o realizador Rob Marshall e o produtor John DeLuca na transformação da história — adaptada de um conto de 1837 de Hans Christian Andersen — num filme em imagem real.

“Foi um processo de grupo”, afirmou o oscarizado Alan Menken, que trabalhou com Lin Manuel-Miranda em novas canções para o filme. Menken é considerado o mais famoso e prolífico compositor de filmes da Disney.

“Todos estes elementos tornam [o filme] numa confeção completamente original”, disse o compositor. “Vindo do teatro, o Rob foi tão protetor da chama como eu achei que teria de ser”, continuou. “Ele agarrou-se ao que era sagrado”. 

O filme introduz várias novas canções que não existiam na animação de 1989 e também modifica a letra de duas das músicas originais, um sinal dos tempos na Hollywood pós-Me Too: ‘Kiss the Girl’ (‘Vai Beijar’, na versão portuguesa) e ‘Poor Unfortunate Souls’ (‘Pobres Almas Desgraçadas’). 

Menken revelou que chorou quando viu a versão em imagem real de ‘Parte do Teu Mundo’, a icónica canção da sereia Ariel, na sala de edição. O compositor emocionou-se ao “lembrar a inocência” do que escreveu originalmente e elogiou o talento de Bailey para o interpretar.

Na antestreia no Dolby Theatre e na visualização antecipada no El Capitan Theatre, a que a Lusa teve acesso, a reação da audiência aos números musicais foi muito entusiasmada, com aplausos no final de cada canção. 

“Os musicais são um híbrido entre teatro e cinema”, disse o realizador Rob Marshall, sublinhando que se sentiu muito apoiado pela Disney neste projeto. “Que outros fariam estes musicais maciços? Não fazem, já não correm esses riscos”, afirmou. 

Protagonizado por Halle Bailey, que encarna Ariel, e Jonah Hauer-King, que dá vida ao príncipe Eric, ‘A Pequena Sereia’ esteve cinco anos em produção. 

Quando surgiram as primeiras imagens de Halle Bailey como Ariel houve controvérsia por ser afro-americana e não ter o cabelo ruivo nem os olhos azuis como a personagem animada. 

O realizador Rob Marshall contou que a equipa fez “centenas de audições” em busca da atriz para interpretar Ariel e que Halle Bailey, que tinha sido testada logo no início, se destacou em todo o processo. 

“Vimos atrizes de todas as etnias, toda a gente. E ela clamou o papel para si”, disse o realizador. “Foi isso que aconteceu”. 

Halle Bailey, que participou noutra conferência de imprensa, descreveu Ariel como uma personagem que a ajudou a descobrir-se a ela própria. 

“Foram cinco anos da minha vida, dos 18 aos 23, anos muito intensos e transformadores”, afirmou. “Sinto que estes temas do filme e o que ela teve de enfrentar, com as suas paixões e a busca da sua voz mesmo com medo, são coisas que tento adotar”, disse a atriz. “Ela ensinou-me muito”. 

O filme é uma das maiores apostas do ano da Walt Disney Pictures, com um orçamento que se estima ser superior a 200 milhões de dólares. Mas Rob Marshall salientou que essa escala gigante não se sentiu na intimidade das cenas. 

“De certa forma, é uma história pequena”, considerou. “É sobre um pai e uma filha, um pai que está a aprender a deixá-la ir, e duas almas gémeas que aprendem a mudar o mundo e a não ter medo de quem é diferente deles”. 

A relação entre Ariel e o príncipe Eric assume contornos diferentes e modernos, baseando-se na amizade, como explicou o ator Jonah Hauer-King. 

“Os romances da Disney estão sempre cheios de atrações instantâneas e todos queremos ver isso”, afirmou. “Mas o divertido nisto foi ver que a Ariel e o Eric são duas almas gémeas que se sentiam um pouco inquietas, presas nos respetivos castelos, e olhavam para fora e não para dentro”. 

A forma como a relação é contada neste filme torna-a mais significativa, considerou Hauer-King. “Ambos sentiram que estavam a ensinar coisas ao outro. Estavam entusiasmados e fascinados com o mundo um do outro, embora não o soubessem até ao fim”. 

A produção conta também com os pesos-pesados de Hollywood Melissa McCarthy, que encarna a bruxa do mar Úrsula, e Javier Bardem, que interpreta o Rei Tritão, pai de Ariel. Noma Dumezweni dá vida a uma personagem nova, a rainha Selina, que é mãe adotiva do príncipe Eric. 

“Um dos temas bonitos desta história é que a mãe e o pai, os adultos, aprendem com os filhos”, disse Javier Bardem. “É uma lição importante sobre o que significa o amor”.

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