Greves de Hollywood terão "impacto modesto" no Festival de Veneza

Em conferência de impressa sobre a 80.ª edição do festival italiano, que começa a 30 de agosto, o diretor artístico, Alberto Barbera, disse que as greves que estão a afetar, desde maio, a produção de cinema e televisão dos Estados Unidos terão “um impacto modesto” no festival e “a passadeira vermelha não estará tão vazia” como a imprensa especializada antecipou.

A única alteração decorrente das greves, já anunciada esta semana, foi a retirada do filme de abertura de Veneza, ‘Challengers’, de Luca Guadagnino, por decisão dos produtores e distribuidores, que quiseram adiar a estreia para 2024.

Em substituição, o festival de Veneza revelou que a abertura será com o filme “Comandante”, de Edoardo De Angelis, integrado na competição.

Com um agradecimento aos produtores e realizadores que “cumpriram o compromisso” de estrear os seus filmes em Veneza, Alberto Barbera revelou uma extensa lista de obras selecionadas para a 80.ª edição, dentro e fora de competição.

Sem a presença de filmes portugueses na seleção oficial de curtas e longas-metragens, Veneza contará com um projeto luso-brasileiro no programa de cinema imersivo e de realidade virtual, com “Queer Utopia”, do artista brasileiro Lui Avallos com coprodução portuguesa.

Lui Avallos, com formação em imagem e som no Brasil, desenvolveu uma investigação em realidade virtual na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, que esteve depois em desenvolvimento em Veneza entre 2021 e 2022 e é agora apresentada este ano no festival.

Na seleção oficial de Veneza, destaque para a estreia de ‘The Palace’, do realizador Roman Polanski, à beira dos 90 anos, e cujo cinema regressa a este festival depois de, em 2019, ter sido premiado com ‘J’Accuse — O oficial e o espião’.

Descrito como “uma comédia negra”, ‘The Palace’ conta com interpretações, entre outros, de Oliver Masucci, Fanny Ardant, John Cleese e o ator português Joaquim de Almeida.

Também fora de competição, em Veneza estarão ‘Coup the chance’, de Woody Allen, rodado em França, ‘The wonderful story of Henry Sugar’, de Wes Anderson, a partir de uma história de Roald Dahl, e o documentário ‘Ryuichi Sakamoto — Opus’, de Neo Sora, filho do pianista que morreu em março passado.

Admitindo que este ano a competição pelo Leão de Ouro é extensa, Alberto Barbera revelou, entre outros, ‘Priscilla’, de Sofia Coppola, ‘La Bête’, de Bertrand Bonello, ‘Maestro’, realizado e protagonizado por Bradley Cooper, ‘Origin’, de Ava DuVernay, e ‘The Killer’, de David Fincher, num regresso a Veneza depois de ‘Clube de Combate’ (1999).

Além de Roman Polanski e Woody Allen, Veneza também incluiu na programação outro nome envolvido em escândalos sexuais, o realizador francês Luc Besson, de quem será exibido, em competição, o filme ‘Dogman’.

‘Poor Things’, de Yorgos Lanthimos, com Emma Stone e Mark Ruffalo, ‘El Conde’, de Pablo Larraín, com o ditador chileno Augusto Pinochet retratado como um vampiro, e ‘Ferrari’, de Michael Mann sobre o empresário italiano Enzo Ferrari, num papel para Adam Driver, também estarão em Veneza.

O festival de cinema de Veneza, que termina a 9 de setembro, escolheu ‘La Sociedade de la Nieve’, do realizador espanhol J. A. Bayona, como filme de encerramento.

O júri que atribuirá o Leão de Ouro é presidido pelo realizador Damien Chazelle.

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