‘IN-completo’ de companhia inclusiva estreia no Porto

“É uma reflexão sobre o corpo e os lugares. O espetáculo e os textos do Samuel Beckett vêm complementar esse pensamento, o lugar, o corpo, a expressão, e há uma frase dele que foi o mote de todas as cenas deste espetáculo: melhor, pior, assim”, descreveu sobre um espetáculo que reunirá em palco 20 atores, uma parte deles portadores de deficiência.

Da peça que dura 80 minutos, Mónica Cunha disse ainda que “foi um processo muito exploratório através do desenho e do traço, que levou à construção cénica do movimento de cada ator (acompanhado pelos textos do Beckett)”.

A companhia pertence à Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC).

O título da peça, para a encenadora, “resume a existência humana, como as pessoas e os lugares são incompletos”.

“Somos completos, mas achamos sempre que nos falta alguma coisa, nos lugares, no espaço, nas nossas casas, nos objetivos e o ‘in’ refere-se a essa coisa de que sentimos sempre falta”, descreveu.

Na informação enviada à Lusa lê-se ainda que o ‘IN-completo’ desafia os espectadores “a dialogar com lugares, a pensar o corpo, pensar a individualidade, o traço, o desenho e as características possíveis”.

“Entrelaçando a história de cada uma das personagens, a peça é um diálogo de experiências emocionais e particulares, tal como é o espaço das nossas casas, convidando o público a refletir sobre o tal ‘In-completo'”, continua a nota de imprensa.

O espetáculo sobe ao palco às 21:30, no Auditório Horácio Marçal, na Junta de Freguesia de Paranhos, no Porto, após o que entrará em itinerância pelo país.

A companhia ‘Era uma vez… Teatro’ é um projeto inclusivo que pretende sensibilizar a sociedade para as capacidades artísticas das pessoas com deficiência. Desde 1997 que este grupo dá a conhecer, anualmente, uma média de duas produções, lê-se ainda na informação.

Com este projeto, prossegue a APPC, “pretende-se o desenvolvimento de atividades no âmbito da sensibilização, formação, pesquisa, experimentação, promoção e produção de eventos artísticos”.

Além do teatro, em setembro de 2020 a companhia produziu e realizou a sua primeira curta-metragem, intitulada ‘Raiz’. Já em finais de 2020 deu a conhecer uma ‘websérie’ documental sobre a edição do ‘Extremus 2019’.

A companhia assume-se como um espaço que facilita o intercâmbio com outras instituições e artistas emergentes, afirmando-se pela qualidade e complexidade nas dramaturgias, trabalhando para sensibilização de públicos para as capacidades artísticas da pessoa com deficiência e para uma sociedade mais inclusiva.

Os elementos da companhia “sempre assumiram — e defenderam — que com o teatro há a exploração do próprio corpo. E que tal ‘dá’ ao indivíduo (ator) uma ferramenta para melhorar a sua postura perante a vida”, explica a nota de imprensa.

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