José Pinho: Cerimónias fúnebres quinta e sexta-feira em Lisboa

José Pinho, fundador da Ler Devagar e de dois festivais literários em Óbidos, morreu no Hospital CUF, em Lisboa, vítima de doença oncológica.

O velório vai acontecer na Ler Devagar/CCBA — Centro Cultural do Bairro Alto, entre as 16:30 e as 00:00, na quinta-feira.

“O último sonho concretizado do Zé vai abrir-lhe as portas para uma pré-inauguração… e a família, amig@s e admiradores juntam-se a ele! Na sexta, dia 02, às 12:30 saímos em direção ao crematório do cemitério do Alto de S. João”, lê-se numa mensagem partilhada por um dos irmãos, João Pinho, nas redes sociais.

Nascido em 1953, numa aldeia do concelho de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu, o nome de José Pinho fica para sempre ligado ao livro em Portugal, tendo fundado o festival Folio, em Óbidos, o Latitudes, no mesmo concelho, e estado na criação da Rede de Livrarias Independentes (RELI), entre muitas outras ações de divulgação e promoção da literatura.

Também diretor do Festival Internacional de Literatura e Língua Portuguesa 5L, em Lisboa, foi este mês agraciado com a medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal da capital, por ser considerado “uma personalidade ímpar da cidade”.

Aquando da entrega da medalha de mérito cultural em Lisboa, o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Pedro Sobral, enalteceu “o papel fundamental que José Pinho tem tido na promoção do livro e da leitura, através de projetos inovadores e independentes que são ainda hoje marcos fundamentais da cultura do livro e da livraria”.

Uma semana depois, recebeu, pelas mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o grau de comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

José Duarte de Almeida Pinho formou-se em Línguas e Literaturas Modernas, tendo começado por trabalhar em publicidade.

José Pinho esteve ligado à génese de vários projetos culturais, nomeadamente a livraria Ler Devagar, que durante os últimos vinte anos se instalou em seis espaços na cidade de Lisboa e se tornou um ponto de encontro das artes e uma livraria de fundos editoriais.

Inspirado na Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil, propôs aliar a abertura das livrarias à realização de festivais literários, nascendo, assim, o Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos e o Latitudes — Literatura e Viajantes.

O seu arrojo valeu, em 2015, a classificação de Óbidos como Cidade Criativa da Literatura em Portugal, pela UNESCO.

Entre os projetos em que se destacou pela sua visão e audácia, conta-se também a reabilitação da histórica livraria Ferin, na Rua Nova do Almada, em Lisboa, em 2017.

Editou mais de vinte livros e fundou outros projetos ligados à atividade cultural, como a Nouvelle Librairie Française de Lisboa, uma livraria fundada e especializada em livros franceses, e a Ler Devagar Cinema, na Cinemateca Portuguesa, e a Ler Devagar Artes, na Culturgest, espaços entretanto já encerrados.

Mais recentemente, estava dedicado à criação daquele que era um dos seus sonhos mais antigos, o novo Centro Cultural e Social do Bairro Alto, projeto multidisciplinar para congregar livrarias, galerias, estúdios de cinema e de gravação de audiolivros e ‘podcasts’, salas de concertos e de artes performativas.

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