Lizzo deixou Alive com ‘lição’ de amor. Arctic Monkeys trouxeram mestria

O segundo dia da 15.ª edição do NOS Alive ficou, irredutivelmente, marcado pela ‘mixórdia’ de géneros musicais dos artistas que pisaram o palco principal. Ainda assim, se muitos dos festivaleiros tencionavam assistir à atuação dos ‘veteranos’ Arctic Monkeys, a verdade é que a grande maioria não ficou indiferente à lição de amor próprio trazida pela norte-americana Lizzo, e tampouco à exuberância de Lil Nas X.

Naquela que foi a sua décima atuação em Portugal, depois de, em 2022, terem passado pelo festival MEO Kalorama, no Parque da Bela Vista, os Arctic Monkeys justificaram o mar de gente que, já noite cerrada, não arredou pé do palco NOS.

Com a mestria e elegância a que já nos habituaram, Alex Turner, Jamie Cook, Nick O’Malley e Matt Helders levaram miúdos e graúdos ao rubro desde o primeiro momento. Na verdade, o ‘coro’ adiantou-se ao ‘maestro’ por diversas vezes, particularmente em temas como ‘Brianstorm’, ‘Do I Wanna Know?’, ‘Cornerstone’, ‘505’, ‘Fluorescent Adolescent’, e, já no encore, ‘I Bet You Look Good on the Dancefloor’.

A plateia recebeu, inclusivamente, elogios rasgados – e em português – do vocalista da banda de Sheffield ao longo de toda a atuação, mesmo quando ‘falhava’ nas músicas de álbuns mais recentes – como é o caso de ‘The Car’, trabalho que veio apresentar. Deste destacou-se a entrada majestosa com ‘Sculptures of Anything Goes’ e a saída igualmente forte com ‘There’d Better Be a Mirrorball’ e ‘Body Paint’.

Mas antes do rock veio a hora da ‘bad bitch’, que mobilizou, também, uma enchente de pessoas. Na estreia em Portugal, Lizzo conquistou até os mais céticos com a sua mensagem de amor próprio, empoderamento feminino e ativismo LGBTQ+, patente um pouco por todos os temas que construíram um espetáculo pensado ao pormenor.

Desde a coreografia ao cenário, só faltou mesmo “lavar pratos”, como apontou uma mensagem de voz tocada antes de ‘Rumours’, tema que partilha com Cardi B. Dona de um vozeirão, a cantora, compositora e rapper norte-americana mostrou também o seu talento na flauta e na ‘arte’ do twerk que, como seria de esperar, transformou Lisboa em “Lizzoboa”.

Entre temas como ‘Juice’, ‘2 Be Loved (Am I Ready)’, ‘Truth Hurts’, ‘Good as Hell’, e ‘Everybody’s Gay’, a artista teve ainda tempo de cantar os parabéns a um festivaleiro, assinar um cartaz, e interagir com quem estava ali especialmente para a sua estreia em solo nacional, que todos rendeu. Tal como diria a própria, “ponto final, bitch”.

Quem não se ficou atrás em termos de produção foi Lil Nas X, também ele pela primeira vez em Portugal. O norte-americano, que chegou às luzes da ribalta com ‘Old Town Road’, meteu o Passeio Marítimo de Algés a dançar com ‘MONTERO (Call Me by Your Name)’, ‘Panini’, e ‘INDUSTRY BABY’. De ar angelical, – vestido de branco e de peruca loira -, o rapper rapidamente atiçou a multidão, a quem perguntou se gostava “de abanar o rabo”.

Entre um cenário animalesco e diversas mudanças de vestuário, o compositor mostrou que sabe dar um bom espetáculo, ainda que de música tenha tido pouco. Recebeu uma ‘lap dance’, simulou um beijo apaixonado com um dos bailarinos, e até olhou o público nos olhos quando, antes da despedida, cumprimentou as primeiras filas de perto. “Vamos abanar muito o rabo”, tinha prometido, e cumpriu.

O terceiro e último dia do NOS Alive é já este sábado, dia 8 de junho, contando com as atuações de artistas como Sam Smith, Queens Of The Stone Age, Machine Gun Kelly, Angel Olsen, Rina Sawayama, e King Princess.

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