Luís Soldado estreia ópera de câmara ‘Beatriz’ sábado no Brasil

Em declarações à agência Lusa, o compositor Luís Soldado afirmou que esta ópera surgiu da sua “paixão” pela poesia do autor norte-americano, tendo reunido cinco poemas que traduziu para português.

Para o músico, traduzir os poemas permitiu que passasse “mais tempo com eles” para “preparar melhor a música”.

Na sua poesia, Charles Bukowski aborda “temas universais e muito transversais, ao mesmo tempo”, disse Luís Soldado, acrescentando: “Pomos em questão o nosso lugar no mundo, o nosso valor, se vale a pena lutar, se vale a pena sempre ir até ao fim, o modo como olhamos, o modo como olhamos para os outros e eles olham para nós”.

Questionado sobre o título escolhido, ‘Beatriz’, o compositor disse: “Há que entrar um pouco na poesia do Bukowski. Há um poema dele que se chama ‘O Pássaro Azul’, que é como se fosse a nossa voz interior, que é um pássaro dentro do nosso coração, que quer sempre sair, mas nós não o deixamos sair pois temos medo que esse pássaro nos comprometa com o resto do mundo, como se fosse o nosso segredo íntimo, e a ‘Beatriz’ é o meu pássaro azul, é o meu segredo. Todos nós temos o nosso segredo”.

A ópera ‘Beatriz’ é protagonizada pela atriz Rita Brütt e pelo barítono Rui Baeta, numa encenação de Linda Valadas, com um trio musical composto por Marta Menezes ao piano, Francisco Ramos no violino e Sérgio Luís na trompa.

O compositor referiu que este formato torna “economicamente sustentável” a apresentação de ‘Beatriz’ em diferentes espaços cénicos.

A ópera, produzida pela Associação de Ópera e Artes Contemporâneas (AREPO), estreia-se no sábado em Vitória, no Brasil, no âmbito do 10.º Festival de Música Erudita do Espírito Santo.

Em Portugal, ‘Beatriz’ sobe à cena no próximo dia 25 no Teatro-Cine, em Torres Vedras, e, no dia 28 de janeiro, na Casa da Música Francisco Alves Gato, em Mafra.

Luís Soldado é investigador integrado no Centro de Sociologia e Estética Musical (CESEM), da Universidade Nova de Lisboa, onde frequenta um doutoramento em Ópera, e é doutorado, desde 2012, em Composição, pelo Royal College of Music, em Londres, que frequentou como bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Soldado compôs outras óperas de câmara, nomeadamente ‘Hotel Suite’, com libreto de Rui Zink, que estreou em 2011, em Londres, ‘Fado Olissiponense’, com libreto também de Zink, estreada em 2012, no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, ‘O Corvo’, a partir da obra homónima de Edgar Allan Poe, que estreou em 2015, e ‘Tabacaria’ de Álvaro de Campos, estreada em 2017.

Soldado assinou uma banda sonora para o filme mudo ‘Os Lobos’, de Rino Lupo, que estreou em 2011 no Barbican Centre, em Londres. É também autor da ópera de rua “Serei eu fugindo?”, com libreto de Zink, estreada em 2013 no âmbito da iniciativa “Andar em Festa”.

Desde 2015, Luís Soldado é compositor associado da Orquestra Clássica do Sul.

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