Manuel Cargaleiro sente doutoramento ‘honoris causa’ como "prémio único"

“Hoje estou particularmente feliz e particularmente emocionado, porque eu recebi prémios de muito lado, mas este tem um significado único”, afirmou, numa declaração aos jornalistas já depois da cerimónia de outorga das insígnias.

Manuel Cargaleiro, que é natural de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, frisou o facto de esta distinção lhe ser atribuída por uma universidade que está na região onde nasceu.

“Esta homenagem é o máximo que eu podia receber na minha vida. Felizmente que ela chegou aos 95 anos. Tem uma importância enorme pelo significado que tem, porque eu nasci na Beira Baixa. Eu sou de cá”, acrescentou minutos antes de começar a receber os cumprimentos que, por indicação médica, foram apresentados com algum distanciamento físico pelas muitas personalidades que fizeram questão de se associarem ao momento.

Um reconhecimento que Manuel Cargaleiro recebeu com humildade, tendo mesmo dito aos jornalistas que não sabia se era merecido, reiterando que é um “prémio fantástico”.

Sem qualquer dúvida sobre esse merecimento, mostraram-se todos os presentes na cerimónia, que contou com a presença da vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, e do secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Teixeira, além de muitos representantes das mais diferentes instituições e autarcas da região.

“Pela sua obra, pelos seus valores culturais, na sua expressão humanística mais grandiosa, o postulante [Manuel Cargaleiro] é inquestionavelmente digno do reconhecimento desse grau”, afirmou Fernando Ferreira Pinto, advogado, doutorado em Ciências Jurídicas e docente da Universidade Católica Portuguesa, a quem coube ser “padrinho” do novo doutorando.

Fernando Ferreira Pinto lembrou a vida e obra de Manuel Cargaleiro, apontou o percurso ligado às artes, as ligações e os prémios nacionais e internacionais, bem como várias condecorações, a que se junta agora o doutoramento ‘honoris causa’ da UBI.

“Estou absolutamente convicto que esta homenagem que a universidade da sua terra lhe presta calará muito fundo no coração do mestre. Assim é, porque se trata do justíssimo reconhecimento do que ele fez e do legado cultural que deixa nesta região”, acrescentou.

Reconhecimento que o secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Teixeira, considerou de “elementar justiça”.

“Não somos nós que honramos o mestre Cargaleiro, é o mestre que nos honra em se juntar à academia”, referiu.

O governante fez ainda questão de salientar a ligação que Manuel Cargaleiro sempre manteve a Portugal, mesmo vivendo fora.

Por seu turno, o reitor da UBI, Mário Raposo, frisou que a atribuição da mais alta distinção honorífica da universidade a Manuel Cargaleiro foi aprovada por unanimidade e que constitui uma “honra” para a própria instituição, sendo que também “fortalece” e “dá ânimo” àquela instituição.

“A atribuição do doutoramento ‘honoris causa’ a Manuel Cargaleiro encerra com brilhantismo este ano letivo da UBI. Honrar quem, pelo percurso de vida e dimensão artística, nos honra ao ingressar no nosso colégio de doutores fortalece-nos e dá-nos mais ânimo para enfrentar os desafios que se nos colocam no ano que se avizinha”, disse Mário Raposo.

Mário Raposo apontou ainda que a UBI mantém vivo o compromisso que assumiu com a sociedade, “por via da criação e transferência do conhecimento, como agente promotor da responsabilidade social e ambiental, colaborando na definição de políticas públicas e na articulação entre a criatividade e a cultura”.

Nesse contexto, sublinhou o facto de a instituição abrir, uma vez mais, as portas à comunidade para testemunhar a imposição das insígnias doutorais a Manuel Cargaleiro, “individualidade ilustre pela sua personalidade, pela sua postura na vida, pela sua obra, pelo seu saber e sabedoria e pela sua contribuição para a humanidade”.

“O doutoramento ‘honoris causa’ reconhece a honra do agraciado e proclama-o publicamente. Distingue com isso o agraciado e recebe dele a honra da aceitação”, concluiu.

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