Marlene Monteiro Freitas regressa ao Teatro D. Maria com ‘Bacantes’

Cinco anos depois da estreia, a coreógrafa e bailarina regressa à Sala Garrett com o espetáculo que mergulha neste clássico do teatro, “atravessado pelo delírio e o irracional, a ferocidade e o desejo de paz, a selvajaria e a aspiração a uma vida simples”.

“Direções contraditórias, elementos que chocam, corpos íntegros que se desmembram e crenças testadas ao limite”, recorda o D. Maria II em comunicado, sobre o mundo que Marlene Monteiro Freitas percorre no espetáculo.

A peça coreográfica é um “combate de aparências e dissimulações, polarizado entre os campos de [deuses] Apolo e Dionísio”.

Estreado em Lisboa, em 2017, ‘Bacantes, Prelúdio para uma Purga’ é um espetáculo coproduzido pelo Teatro Nacional D. Maria II e por vários teatros e festivais europeus, que tem viajado internacionalmente nos últimos cinco anos.

Cofundadora da estrutura de artes performativas P.OR.K, Marlene Monteiro Freitas foi uma das artistas distinguidas, em 2021, com o Chanel Next Prize, prémio internacional dedicado à inovação no âmbito das artes e da cultura, distinção que juntou ao Leão de Prata da Bienal de Veneza, atribuído em 2018.

Nessa altura, o júri de Veneza destacou a “presença eletrizante e o poder dionisíaco” das suas produções, considerando-a “uma das mais talentosas da sua geração”, que se interessa pela “metamorfose e deformação”, que “trabalha mais com as emoções do que [com] os conceitos, e que apaga as fronteiras do que é esteticamente correto”.

O seu trabalho tem sido apresentado em vários países, além de Portugal, também nos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Israel, Espanha, Itália e Coreia do Sul.

Quando a criadora, de 39 anos, foi galardoada com o Leão de Prata, em declarações à agência Lusa, sublinhou que procura usar a transgressão para criar metamorfoses, e que dá atenção particular à emoção no seu processo criativo.

Nos seus trabalhos, a cofundadora da estrutura cultural P.O.R.K combina por vezes o drama e a comédia, num trabalho que tem sido o elogiado pela crítica internacional pela expressividade e pela criatividade.

Em Cabo Verde, Marlene Monteiro Freitas cofundou o grupo de dança Compass.

Estudou dança na P.A.R.T.S., em Bruxelas, na Bélgica, na Escola Superior de Dança, e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Trabalhou com Emmanuelle Huynn, Loïc Touzé, Tânia Carvalho, Boris Charmatz, Clara Andermatt, entre outros coreógrafos portugueses e estrangeiros.

‘Marfim e carne — As estátuas também sofrem’ (2014), ‘Paraíso-coleção privada’ (2012-13), ‘(M)imosa’ (2011), com Trajal Harell, François Chaignaud e Cecilia Bengolea, ‘A Seriedade do Animal’ (2009-10), ‘Uns e Outros’ (2008), ‘A Improbabilidade da Certeza’ (2006), ‘Larvar’ (2006) e ‘Primeira Impressão’ (2005) são algumas das obras que criou.

A sua obra mais recente, ‘Mal – Embriaguez Divina’, com reflexões sobre a natureza humana, estreou-se a 18 de junho de 2020, na Culturgest, em Lisboa, cofinanciada pelo programa Europa Criativa da União Europeia, no âmbito do projeto ACT — Art, Climate, Transition.

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