Música, arte e sustentabilidade. Kalorama começa "nova era de festivais"

O Parque da Bela Vista, em Lisboa, recebe a primeira edição do festival MEO Kalorama, que começa esta quinta-feira e decorrerá até dia 3 de setembro, com atuações de artistas internacionais de renome como The Chemical Brothers e Marina Sena.

Um evento que conta com diversos estilos musicais desde o rock de Arctic Monkeys, o gospel rock de Nick Cave and The Bad Seeds, o indie de Alice Phoebe ao jazz de Bruno Pernadas e ainda muita música eletrónica pelo meio. No recinto estarão três palcos – MEO, Futura e Colina – assim como bares, área de restauração, zona VIP e espaço da plataforma cultural Underdogs.

Ao Notícias ao Minuto, a porta-voz da organização, Andreia Criner contou que a ideia do Meo Kalorama surgiu entre a produtora espanhola ‘Last Tour’ e a portuguesa ‘House of Fun’ que decidiram “unir-se na criação deste festival”, esperando mais de 100 mil pessoas ao longo dos três dias.

Quanto à escolha do espaço, não foi difícil, na verdade, o nome deve-se à localização, Kalorama significa ‘bela vista’ em grego. O local onde se realiza o evento era “o recinto desejado” e assim se concretizou: “Diria que foi uma escolha feliz e óbvia”, destacou Andreia ao acrescentar que optaram por um sítio “dotado de uma série de infraestruturas que permitem realizar um evento e montá-lo com grande segurança e conforto”, para além de ser já conhecido do público.

Já a escolha das datas teve em conta as digressões dos artistas. Quando as promotoras pensaram nos dias, adaptaram-nos à agenda dos cantores para que fosse possível encaixar diversos nomes “num derradeiro festival de verão, o último grande festival de verão”.

O Kalorama foca-se em três eixos: música, arte e sustentabilidade, e sempre que possível cruza-os. O foco da organização é deixar “o mínimo possível de pegada ambiental” e incutir esse ideal tanto no público como nos artistas convidados. Visto que um festival provoca sempre muitos resíduos, Andreia esclareceu que “é importante pensar em como reduzi-los ao máximo e reutilizá-los depois”. “Se o público puder ter esses comportamentos logo de auto regulação também, só nos ajuda a ser sustentáveis”, apelou.

Outro dos focos é “nas boas práticas”, nas palavras da responsável. A organização será “cada vez mais rigorosa à medida que as edições forem passando”, porque acreditam que “mais vale fazer pouco, bem e ir ganhando escala ao longo do tempo”. Já a pensar nas próximas edições, o MEO Kalorama espera que esta estratégia de sustentabilidade se vá desenvolvendo.

“O que queremos é que as medidas que implementamos agora sejam para ficar e a cada nova edição vamos tomando novas medidas”, deslindou a organização. Também os brindes foram pensados de forma a sensibilizar participantes e patrocinadores para que não existam materiais de plástico ou objetos que não têm vida após o festival.

Uma homenagem que fazemos à comunidade local e aos seus artistasInclusividade é outra das preocupações e, como tal, o recinto estará preparado para receber pessoas com mobilidade condicionada. Em atenção, a organização tem também a comunidade envolvente, existindo uma parceira, que permitiu contratar artistas locais e funcionários. A associação ‘Chelas é o Sítio’ está responsável pela abertura da programação todos os dias do palco Colina, às 16h00, sendo sempre os primeiros a atuar. “Uma homenagem que fazemos à comunidade local e aos seus artistas”, salientou a organização.

Este festival pretende “regressar à génese dos festivais”, recordar às pessoas o motivo pelo qual começaram a juntar-se nestes eventos, não só pela “vibração formidável” como pela “vontade das pessoas estarem juntas e ouvirem música”. Em tempos de guerra, a organização recorda que “os festivais de música são locais de paz”, onde as pessoas se juntam para “desfrutar de um momento em que não há vencedores nem vencidos”.

Reaproveitamento de estruturas e materiais

A decoração do Palco Meo é “o coração do festival artístico maravilhoso”, com a assinatura de AkaCorleone, “criação artística de grande escala”, que será depois “reencaminhada, reutilizada e recriada em outros suportes artísticos”, informou a organização. O objetivo é que nada seja desperdiçado e tudo o que possível reaproveitado. 

Até os copos, com o cartaz deste ano, são reutilizáveis. Mas a novidade é que, não só as garrafas de água são 100% recicláveis, como é possível enchê-las nos bebedouros distribuídos pelo recinto, o que reduz o consumo de plástico. A reciclagem do lixo não ficou de fora, existem vários pontos por todo o festival. 

Outra particularidade deste evento são os workshops e os temas que trazem. Por exemplo, o que será dado por Madalena Petito, da Underdogs, tem como mote os 17 objetivos da agenda 2030 das Nações Unidas, para que se aborde uma “grelha comportamental” que, na ótica da organização, deve “começar antes do festival e terminar depois”. “Quando pensámos o que faríamos a nível de workshops, a questão da sustentabilidade integrada na arte foi imediata e isso queremos também que passe para os artistas”, revelou.

Quanto ao futuro, estão já a ser decididas as datas para 2023. “Queremos estar cá muitos bons anos e fazer da música, arte e sustentabilidade os vértices para mostrar que somos de facto uma nova era de festivais”, reforçou Andreia.

A organização recomenda que sejam utilizados transportes públicos para chegar ao recinto, como tal poderá utilizar o metro até à estação Bela Vista e os autocarros da Carris números 727, 755 e 794. Se optar por comboio, a estação de Roma-Areeiro fica a cerca de 20 minutos a pé do local.

Os bilhetes estão à venda nos locais habituais a preços que variam entre os 61 euros, preço diário, aos 145 euros, passe geral para os três dias que, segundo a organização, está perto de esgotar.

Fique com a programação e horários dos concertos: 

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