Neon Soho. Tema ‘Endless World’ é "como uma viagem de altos e baixos"

A 57.ª edição do Festival da Canção começa já no próximo sábado, dia 25 de fevereiro. No total, são 20 os concorrentes a querer representar Portugal na Eurovisão, em Liverpool.

O Notícias ao Minuto falou com todos os autores em competição e Neon Soho não foi exceção.

Segundo a RTP, o trio lisboeta – comporto por Ana Vieira, Ricardo Cruz e Vera Condeço – inspirou-se em “várias influências e estilos de cada um dos membros”.

‘Proof of Love’ é o álbum de estreia do grupo e foi lançado em 2021. O grupo define este trabalho como “uma salada de pop, sem regras ou formalismos”, que reúne influências “que vão desde o synth-pop à dança e ao soul”.

O Festival da Canção é, conforme disseram ao Notícias ao Minuto, um “desafio enorme” e uma “experiência única”, mas “sentir orgulho” do que fizeram será o melhor resultado que poderão alcançar na competição.

A canção é um reflexo do que vivemos política e socialmente

Porque é que quiseram participar no Festival da Canção?

Um evento desta dimensão seria sempre um desafio enorme e interessante para o crescimento e autoconhecimento da banda. Uma experiência única, um impulso positivo que gostávamos que fizesse parte do nosso caminho.

Já eram fãs do Festival da Canção? E da Eurovisão?  

Como qualquer europeu vivemos o Festival da Canção mas, em especial, nos últimos anos pois identificamo-nos mais com os autores e artistas convidados.

Qual é a melhor música de sempre do Festival da Canção?

São duas: ‘Desfolhada’ e ‘Amar pelos Dois’.

Que mensagem transmite a música ‘Endless World’?

A canção é um reflexo do que vivemos política e socialmente. É uma chamada ao coletivo e ao amor. Foca a individualidade e o ego que se exacerbaram durante a pandemia. Fala tanto da nossa individualidade como da necessidade que temos uns dos outros e de estar em sociedade e de amar. Queremos que esse amor seja sincero e não apenas uma forma de nos sentirmos bem conosco próprios, como se fosse uma obrigação.

Sentimos esta canção como uma viagem de altos e baixos, de emoções díspares, desde a turbulência emocional, do caos e dos tons mais negros da vida ao amor honesto e verdadeiro e da esperança. É gradual.

A jornada termina com o grito de liberdade. Primeiro há o grito mudo, enclausurado, que não conseguimos ouvir, uma tentativa de libertação e depois, é destruída a racha por onde passava a luz de esperança, é então um momento de soltura e libertação, quase como uma apoteose. O grito ganhou voz, é uma celebração.

O título da canção, ‘Endless World’, pode ser uma alusão à ideia de círculo, repetição. O loop em que cada um de nós está inserido individualmente, mas também pode ser do ponto de vista de geração e evolução. A eternidade.

A criação desta canção foi um ‘turning point’ para nós enquanto banda, em relação ao processo criativo, mas também no que toca ao nosso caminho ou rumo musical, o ponto de encontro entre os três – já conseguimos visualizar esse sítio comum e naturalmente sentir uma inspiração imensa e vontade de criar no imediato.

Conseguem levantar um pouco o véu de como será a atuação?

Estamos a trabalhar com uma equipa fantástica de diretores de arte, stylists e estilistas para uma abordagem cénica em linha com o que os fãs esperam.

Como estão a correr os ensaios? Com que frequência ensaiam?

Os ensaios, quase diários, estão a correr bem. Vão surgindo dúvidas e algumas inseguranças, normais neste processo, é uma responsabilidade grande. 

De que forma olham para as restantes canções e intérpretes desta edição do Festival?

Com orgulho em fazer parte de uma edição com tantas músicas bonitas.

Quais são as vossas expetativas face à participação no Festival da Canção? O que seria um bom resultado?

Queremos dar o nosso melhor, conseguindo proporcionar uns óptimos três minutos em cima do palco. Dar uma boa dose de entretenimento e oferecer uma prestação que faça jus ao convite que nos foi feito.

Para já estamos focados neste objetivo, as expectativas virão mais tarde. Sentir orgulho até ao fim, será o melhor resultado para nós. 

Depois da participação no Festival da Canção, o que se segue? 

Regresso ao estúdio e processo de composição. Finalizar canções que ficaram em standby, aproveitar este embalo para mostrar música nova e fresquinha. 

Que portas é que acham que o Festival da Canção pode abrir para o futuro?

O Festival da Canção, se for bem aproveitado, pode abrir algumas portas. A visibilidade que proporciona ajuda a suscitar alguma curiosidade em relação ao nosso projeto e, quiçá, termos a oportunidade de marcar mais concertos e ter mais pessoas a procurarem a nossa música, a quererem ouvir-nos.

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