‘O têxtil na arte’ está patente na Contextile em Guimarães até outubro

Para o diretor da Contextile – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, Joaquim Pinheiro, esta edição é também um balanço de uma década de existência, dez anos após a Guimarães 2012 — Capital Europeia da Cultura.

“Mas é, sobretudo, um momento de dar um impulso ainda maior, seja na escala, seja na ligação ao território onde estamos inseridos, em Guimarães e Vale do Ave, que é um território de cultura têxtil. É estabilizar e aprofundar as relações que temos, que tem a ver com a nossa estratégia, de ligação com outros territórios de cultura têxtil, com outros parceiros e outras bienais, que tem vindo num crescendo, até à presente edição”, sublinhou Joaquim Pinheiro.

Em declarações à agência Lusa, no Instituto de Design de Guimarães (IDEGUI), onde voluntários trabalham numa das duas instalações do artista plástico ganês Ibrahim Mahama, envolvendo teares gigantes e a tecelagem de tecidos trazidos do Gana, o diretor da Contextile revelou que também convidaram 10 artistas nacionais “consagrados” que utilizam o têxtil nas suas obras.

A exposição ’10 artistas — O Têxtil na Arte Portuguesa’, para assinalar os 10 anos de Contextile, vai estar no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e contempla obras de uma dezena de criadores nacionais: Ana Vieira, António Barros, Eduardo Nery, Gisella Santi, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira, José de Guimarães, Leonor Antunes, Lourdes Castro e Margarida Reis.

Joaquim Pinheiro destacou também a exposição internacional, “o epicentro da bienal”, com 58 obras de 54 artistas, de 33 países, selecionados por um júri internacional — de cerca de 1.250 artistas que concorreram -, que vai estar patente no Centro Cultural Vila Flor (CCVF).

“A bienal são sensivelmente dois meses. As expectativas são grandes, depois destes dois anos [de interregno devido à pandemia], esperamos ter bastante gente a participar e a visitar-nos. Tal como temos uma participação muito elevada de artistas a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional, temos expectativas de haver muito público”, vaticinou o diretor do certame.

Para a diretora artística da Contextile, Cláudia Melo, passados dez anos, este era o momento de se fazer “um ponto de situação, de reflexão”.

“O tema, o conceito desta bienal é o ‘remake’ [‘refazer’, na tradução do inglês]. Através do pensamento crítico, como é que se pode atuar, mudar o que precisa de ser mudado. É uma proposta bastante desafiadora e bastante difícil também, mas era importante repensar aquilo que poderá ser feito de novo e aquilo que poderá ser feito melhor”, salientou Cláudia Melo.

Esta responsável lembrou que a “assinatura deste ano” da bienal é “o têxtil na arte”, a capacidade de “refletir o têxtil como incitador e como congregador” e como, através dele, “os artistas resolvem as suas propostas, trazendo também para a dimensão do têxtil outros pensamentos da arte contemporânea”.

A diretora artística explicou que os trabalhos da bienal vão estar patentes em 15 lugares de Guimarães, sendo também uma proposta “de visita da cidade”.

“Destaco todos os eventos. Desde as exposições e as intervenções em espaço público das escolas que trabalham o têxtil nos seus departamentos de ensino, as residências artísticas, que mostram os seus resultados no Convento dos Capuchos, de salientar também a exposição que vamos ter no CIAJG, com dez artistas portugueses que propõe uma perspetiva de uma possível história do têxtil na arte portuguesa”, indicou Cláudia Melo.

Há ainda uma exposição de 12 artistas da Noruega, que pode ver vista em três sítios diferentes da cidade de Guimarães.

“[Há] obviamente o nosso artista convidado [Ibrahim Mahama], que desenvolveu duas instalações em espaço público: uma na muralha e outra no IDEGUI, e que desenvolve também um trabalho muitíssimo importante de colaboração com a comunidade. A comunidade é chamada a fazer a intervenção, a coconstruir o trabalho dele”, frisou a responsável.

Na muralha do Castelo de Guimarães prosseguem os trabalhos, onde já estão colocadas várias mantas de retalho feitas com sacos de juta.

“Esta instalação faz parte de um trabalho antigo que comecei a desenvolver em 2012, quando era estudante universitário. Reflete o meu interesse nestes materiais e na história que eles contam. À data, fui juntando estes sacos, que são feitos originalmente na Índia e levados para o Gana para transportar cacau. Cacau é uma das maiores mercadorias do Gana e também do mercado mundial”, explicou o artista plástico à Lusa.

Ibrahim Mahama, de 35 anos, realçou o trabalho dos voluntários, sobretudo mulheres, e assume estar “curioso” quanto à reação do público, pois cada um imagina e interpreta a arte de forma diferente.

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