Orquestra nascida em favela do Rio de Janeiro participa na JMJ

O anúncio foi feito hoje pelo seu líder e fundador, Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres, que foi sequestrado e, mais tarde, assassinado, em 1999, precisamente na favela da Maré, de onde vêm 98% das crianças que ainda hoje constituem a orquestra, segundo o seu fundador.

“Instrumentos no lugar de armas” foi uma das ideias que o jornalista Carlos Eduardo Prazeres teve ao criar aquela orquestra.

Agora, em declarações à Lusa antes de divulgar a digressão em Portugal, o jornalista disse que já enviou pedido para o Papa abençoar o grupo e confessou que gostaria de trazer um projeto semelhante para Portugal, mais concretamente para o bairro de Chelas.

“Eu acho que Deus está querendo que eu faça o caminho inverso dele [do pai]. Ele veio de Portugal para o Brasil, trazendo educação, inclusão, música e cultura. Eu tenho vontade de criar um projeto semelhante em Chelas”, um bairro social de Lisboa, afirmou.

“A minha vida tem muitas coincidências com a vida do meu pai”, realçou, explicando que ambos criaram orquestras, tiveram experiências com o Papa, – a Orquestra do Amanhã tocou para o Papa em 2017 no Vaticano. E o pai redigiu a missa campal para o papa João Paulo II, quando foi a primeira vez ao Brasil.

Entre 20 de julho a 6 de agosto, os jovens irão apresentar-se em Lisboa, Cascais, Porto e Arouca, terra onde nasceu o pai de Carlos Prazeres.

“O que vamos fazer é ‘flashmobs’ em pontos turísticos de Lisboa, Porto e Cascais”. A orquestra “aparece num ponto turístico, como o miradouro de São Pedro de Alcântara, toca 30 minutos e sai e vai para outro”, explicou Carlos Prazeres.

Mas também dará concertos em espaços fechados, como a Catedral do Porto.

O fundador espera que a digressão “seja um sucesso”, numa altura em que vão estar muitos turistas em Lisboa e que coincide com a realização da Jornada da Juventude, e que o Papa os abençoe como pediu.

“Estou esperando uma resposta do Papa Francisco, que eu queria que abençoasse a meninada que vai comigo. Eles fazem um trabalho na favela, de levar música para as escolas. É um lugar perigoso, que está sempre em confito e eu peço muita proteção de Deus para eles. Então eu queria muito que o Papa os abençoasse e que essa benção pudesse ser extensiva à comunidade da Maré, para a gente conseguir vencer lá a violência”, afirmou.

O repertório é variado para todos estes eventos e vai desde Guns’n’ Roses, música clássica, The Beatles até Anitta.

O Complexo da Maré é um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro.

De 2010 para cá, o projeto social OMA, que começou com apenas 26 alunos, já tem hoje mais de 4.200 crianças, sendo que 3.700 estão em “pré-escolas”.

Porque, segundo o seu fundador, este ano houve “um nível significativo de inscrições”.

“A gente começa com as crianças de quatro a seis anos”, começou por explicar, depois, já mais crescidas estas vão para duas escolas onde há orquestras infantis e instrumentos. Assim caminham até chegarem à escola profissional que é A Maré da Manhã, concluiu.

Eleita este ano como Património Cultural Imaterial do Rio de Janeiro, a orquestra já inaugurou dois núcleos no estado brasileiro do Pará, um numa comunidade ribeirinha e outra numa comunidade de quilombola.

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