Portugal doa "obra única" de Vhils à sede da UNESCO em Paris

“Esta é uma obra única que Portugal dá à UNESCO. Vhils é um artista que utiliza a cidade como a sua tela e que esculpiu muros em todo o Mundo, sempre com uma atenção particular à realidade local. Podemos virar a rua em Xangai, Kiev, Rio de Janeiro, Sidney, Dubai ou Cabo Verde e encontrar um rosto expressivo e monumental na fachada de um prédio que nos olha e que parece ganhar vida”, afirmou o primeiro-ministro durante a inauguração da obra nos jardins da UNESCO.

Com 31 metros, o mural da autoria do artista português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, foi hoje inaugurado, tornando-se uma das obras de maior relevância nos jardins da sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), logo em frente a uma estátua do escultor britânico Henry Moore. Há seis anos que este projeto estava a ser preparado, mas só há algumas semanas começou a ser esculpido, um evento “extraordinário” para esta organização.

“Há duas semanas que assistimos a algo extraordinário aqui na UNESCO, a criação de uma obra. Esta obra foi-nos oferecida por Portugal e todas as autoridades portuguesas me falaram com muita paixão deste projeto”, declarou Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO.

Neste grande mural esculpido nas paredes desta organização internacional, o destaque foi para o rosto da fundadora Ellen Wilkinson, uma das maiores impulsionadoras da UNESCO.

“Para mim é importante enaltecer e trazer histórias que ficam nas entrelinhas da História. Um exemplo disso é Ellen Wilkinson, que foi alguém que teve um papel muito importante naquilo que poderia vir a ser a UNESCO, que infelizmente nunca viveu para ver o que nos deixou. E queria trazê-la à superfície, num edifício que a representa também, porque muitos dos valores que aqui estão vêm dela”, disse Vhils em declarações à Agência Lusa.

Ellen Wilkinson, feminista e ministra da Educação do Reino Unido no fim da Segunda Guerra Mundial, presidiu à conferência que viria a dar origem à UNESCO em 1945. Acabou por morrer em 1947, não assistindo ao impacto desta organização no Mundo. 

No mural criado pelo artista português, o rosto de Ellen Wilkinson aparece rodeado por 11 monumentos classificados como património da UNESCO, como a Pirâmide de Gizé, no Egito, a cidade de Ayutthaya, na Tailândia, e também a catedral de Brasília, o único momento lusófono representado. 

Se a escolha dos monumentos foi “difícil” devido à diversidade em todos os continentes, o impacto desta obra para Vhils, que no seu discurso na UNESCO falou do seu percurso como uma criança que cresceu nos subúrbios de Lisboa, na importância da educação pública e na cultura que existe à volta das grandes cidades, é evidente.

“Há uma grande vontade de aproximar as novas gerações destas instituições. Todas estas instituições têm uma grande importância na estabilidade no Mundo nos últimos 70 anos e daí importância de haver este diálogo e este envolvimento das novas gerações e das novas práticas de arte”, indicou o artista.

Na capital francesa, Vhils está ainda a levar a cabo um outra obra monumental na estação de metro que a partir do próximo ano vai servir o aeroporto de Orly e que deverá ser inaugurada a tempo dos Jogos Olímpicos de 2024.

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