Primeira escola de moda estará em exposição no Museu da Moda e do Têxtil

Em entrevista à agência Lusa a propósito do primeiro aniversário do Museu da Moda e do Têxtil, cuja obra foi executada em plena pandemia, a responsável pela comunicação da instituição, Ana Lourenço, avançou que dia 15 de setembro vai ser inaugurada uma exposição em parceria com a Escola de Moda Gudi, a primeira escola de moda em Portugal, fundada no Porto em 1972, e que celebra este ano o seu 50.º aniversário.

A mostra vai focar-se no contexto da “fundação da escola e respetiva fundadora, na missão e nos principais objetivos” e vai contar com uma “parte expositiva de trabalhos desenvolvidos pelos alunos”, ficando patente até 17 de outubro.

“A secretária virtuosa do Sr. Calouste Gulbenkian” é outra exposição prevista para este ano, contando com a parceria do Museu da Chapelaria de São João da Madeira.

“A figura central é Maria Helena Knott, secretária do senhor Calouste Gulbenkian. Para além dos seus belíssimos chapéus, esta exposição é composta por vestidos e outros acessórios de moda que a mesma utilizou em diversos momentos sociais. Através destas peças pretende-se retratar uma época cuja forma de vestir refletia a personalidade”, explicou.

Questionada sobre o número de visitantes que o Museu da Moda recebeu durante o ano de abertura — foi inaugurado no dia 20 de maio de 2021 -, Ana Lourenço escusou-se a dizer quantas pessoas receberam, explicando que foi um ano de “várias restrições” por causa da covid-19 e que, por essa razão, os números não faziam “jus à qualidade do museu”.

“A verdade é que achamos que os números que temos até então não são representativos daquilo que pode ser o ano que aí vem, porque é o primeiro mês em que estamos a trabalhar sem restrições. Vamos, a partir de agora, procurar fazer esses balanços, mas o nosso foco não foi esse neste primeiro ano de trabalho”, acrescentou.

No balanço sobre o primeiro ano de trabalho e sobre objetivos traçados, Ana Lourenço destacou a exposição “Next Generation”, que reuniu na galeria do museu alguns trabalhos dos “melhores” ‘designers’ emergentes da ModaLisboa, através da plataforma Sangue Novo, e do Portugal Fashion, através da plataforma Bloom, servindo para unir as novas gerações de criadores portugueses, bem como as associações do setor da moda.

“Estamos muito contentes, porque tínhamos um objetivo que era unir associações, unir as pessoas do setor, unir instituições à volta do calçado, da moda […] no Norte do país e em Portugal em geral, e esse trabalho foi possível fazer, fizemo-lo bem e queremos continuar a fazê-lo”, declarou Ana Lourenço.

O Museu da Moda e do Têxtil foi inaugurado no dia 20 de maio do ano passado, em pleno centro historio de Gaia, junto às caves do Vinho do Porto, e custou 10 milhões de euros, um valor que incluiu a construção e a remodelação do edifício para o museu e para as zonas comerciais adjacentes.

O primeiro piso versa sobre a indústria têxtil em Portugal, onde os visitantes podem conhecer a importância daquele setor no desenvolvimento da região Norte de Portugal, bem como na economia nacional.

O segundo piso é dedicado à moda de autor, ao calçado nacional e à arte da filigrana. Ali, o visitante pode apreciar peças icónicas de ‘designers’ portugueses, desde os anos 80 do século passado até aos dias de hoje.

Há um espaço dedicado aos ‘designers’ portugueses pioneiros na moda atual, em que se destacam trabalhos de Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro, Ana Salazar, José António Tenente, João Tomé e Francisco Pontes ou Manuela Gonçalves.

Depois descobre-se uma sala dedicada aos criadores de moda portuguesa, consagrados nacional e internacionalmente, onde se podem apreciar trabalhos de ‘designers’ como Miguel Vieira, Luís Buchinho, Nuno Baltazar, Fátima Lopes, Maria Gambina, Filipe Faísca, Luís Carvalho, Anabela Baldaque, Diogo Miranda, Hugo Costa, Alexandra Moura, Ricardo Preto e Carlos Gil, entre muitos outros.

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