Programa de homenagem a Aquilino Ribeiro termina no Panteão Nacional

O Programa Nacional, apresentado hoje, em Lisboa, envolve os municípios de Moimenta da Beira, Paredes de Coura, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva, com a Fundação Aquilino Ribeiro, conta reedição dos seus livros e com mais de duas dezenas de iniciativas à volta dos lugares e da obra do escritor, tendo início no próximo dia 27, em Sernancelhe, quando se completam-se 60 anos sobre a morte do autor de ‘Volfrâmio’.

Em 2024, a programação é retomada em março, em Vila Nova de Paiva, com uma conversa entre Aquilino Machado, José Lello e Mónica Baldaque, em torno de obras dos seus avós, respetivamente ‘Volfrâmio’, de Aquilino Ribeiro, ‘A quimera das sete vacas goras’, de Mário Bernardes Pereira (que foi prefaciada por Aquilino Ribeiro), e ‘O comum dos mortais’, de Agustina Bessa-Luís.

Na segunda metade do mês de abril, em Sernancelhe, vai ler-se ‘Aquilino na Biblioteca’, uma iniciativa integrada no mês do livro, e no dia 23, em Moimenta da Beira, decorrerá uma feira do livro dedicada a Aquilino Ribeiro, subordinada ao tema ‘Interior no livro’.

Chegado o último mês do programa, maio de 2024, a freguesia de Carregal, em Sernancelhe, apresenta, no dia 11, a reedição de ‘Geografia sentimental’, com prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e inaugura o Centro Interpretativo de Aquilino, seguindo-se a apresentação do livro “60 anos, 60 testemunhos”.

A cerimónia de encerramento terá lugar no Panteão Nacional, em Lisboa, com homenagem aos prefaciadores das reedições, com leituras de excertos de obras de Aquilino Ribeiro por atores nacionais, com uma exposição fotográfica sobre “Um roteiro aquiliniano” e com um concerto do Conservatório Regional de Música de Ferreirim (Sernancelhe).

O objetivo do Programa Nacional, que se estende ao longo de um ano, é “homenagear o escritor e promover os territórios que são parte essencial da sua geografia de vida”, através de mais de duas dezenas de iniciativas culturais, que também envolvem a família do escritor, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Lisboa (através do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, do Centro de Estudos Geográficos, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, o Panteão Nacional e a Bertrand Editora.

Aquilino Gomes Ribeiro nasceu em 1885, na freguesia de Carregal, Sernancelhe, mas foi em Soutosa, concelho de Moimenta da Beira, que passou parte da sua infância, tendo-se mudado para a aldeia com os seus pais, aos dez anos de idade.

Começou por estudar para ser padre, mas em 1906 abandonou o seminário e fixou-se em Lisboa, dedicando-se à defesa da República através de textos conspiratórios.

Devido a uma explosão no seu quarto, que matou dois carbonários, fugiu para Paris e só regressou em 1914, dedicando-se então ao ensino e ao grupo da Seara Nova, a que se juntou.

Quatro anos depois herdou, por morte do pai, a afamada casa de Soutosa que aparece sempre como refúgio na vida do escritor.

Entre 1927 e 1928, nos primeiros anos da ditadura, sofreu perseguições e chegou a ser preso, tendo conseguido fugir novamente para Paris. Em 1959, foi-lhe movido um processo censório pelo seu romance ‘Quando os lobos uivam’.

Ao longo da sua vida, passou por diferentes lugares e fugiu diversas vezes, combatendo sempre a ditadura, sem nunca abandonar a escrita, espaço onde a palavra liberdade era fulcral.

Publicou 69 livros, em que cultivou todos os géneros literários, desde a ficção às memórias, passando por biografias, estudos de história e etnologia, teatro e crítica literária, entre outros.

Do conjunto da sua obra, fazem parte títulos como ‘Estrada de Santiago’, conjunto de contos que inclui ‘O Malhadinhas’, o livro de memórias ‘Cinco réis de gente’, o livro infantojuvenil ‘Romance da raposa’, e romances como ‘Terras do demo’, ‘Andam faunos pelos bosques’, ‘O homem que matou o diabo’, ‘Volfrâmio’, ‘A casa grande de Romarigães’ e ‘Quando os lobos uivam’.

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