Programa português no Festival de Almagro estreia quatro espetáculos

 

O anúncio foi feito hoje durante a apresentação da programação da sua 44.ª edição, que decorreu pela primeira vez em Lisboa, já que Portugal será o país convidado de honra.

Esta edição, que decorrerá sob o lema “Y el tiempo breve pasarás en flores”, um verso de Sor Ana de la Trinidad, com o qual o Festival mantém o seu compromisso de dar visibilidade às mulheres do Século de Ouro Espanhol (período entre os séculos XVI e XVII, que abarca o Renascimento e o Barroco), contará com a participação de 38 companhias e um total de 84 espetáculos, disse o diretor do festival, Ignacio García.

Com esta colaboração artística e cultural entre Portugal e Espanha, Ignacio García disse que quer desmentir o ditado português, segundo o qual “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”, e provar que é possível um “bom casamento” entre estes dois países vizinhos, neste “marco único de encontro entre artistas portugueses e espanhóis”.

O festival abre no dia 01 de julho, no Palácio de los Oviedo, com a entrega do Prémio Corral de Comédias à atriz Julieta Serrano, e no dia 3 será inaugurado o programa de Portugal com um momento poético subordinado ao lema do festival, “E o tempo breve passarás em flores”, que terá lugar no Corral de Comedias.

Nos dias 02 e 03 de julho, no Palácio de los Oviedo, pode assistir-se a “A contenda dos labradores de Caldelas ou Entremés Famoso sobre da pesca do Rio Minho”, pela Companhia de Teatro de Braga e pelo Centro Dramático Galego, a partir de um texto escrito em galego e interpretado por atores dos dois países, em três línguas: português, galego e castelhano.

No dia 07 de julho, na AUREA, o Teatro Nacional São João apresenta “Castro”, encenada por Nuno Cardoso, e nos dias 16 e 17, a Casa Palacio de los Villareal será palco para a “Embarcaçâo do infierno” (“Auto da Barca do Inferno”), de Gil Vicente, pela Escola da Noite e Centro Dramático de Évora.

No domingo, um concerto de Os músicos do Tejo encerra a parte portuguesa da programação, que inclui também um espetáculo por uma companhia espanhola, Nao D’amores, que interpretará “Nise, a tragédia de Inés de Castro”.

O programa de Portugal é completado com uma exposição de desenhos de “Mulheres do Século de Ouro”, do cenógrafo, arquiteto e intelectual do teatro português José Manuel Castanheira, autor também da imagem do cartaz da edição deste ano do Festival, desenhada especialmente para o evento.

A presença portuguesa vai estar patente ainda no Encontro Ibérico de Diálogos, com a presença da Associação Portuguesa de Cenografia, um encontro que consiste numa série de palestras e numa instalação artística coletiva, que visa criar um espaço de reflexão, intercâmbio e ligação entre cenógrafos portugueses e espanhóis, figurinistas e diretores de palco que trabalharam no tema do Século de Ouro e do Barroco.

Além disso, as Jornadas de Teatro Clássico de Almagro decorrerão sob o tema “O Século de Ouro ibérico: Portugal e o Teatro Clássico Espanhol.

Ao todo, o festival vai apresentar 84 espetáculos, entre os quais 11 estreias, sete das quais absolutas.

 

Leia Também: Londres. Cultura “ganhou vida” e deu as boas vindas aos ‘Miseráveis’

Deixe um comentário