Promotor do Alive desafia televisões a dedicarem 3 minutos/hora à Cultura

“Deixava aqui um desafio. Por que é que as televisões não estabelecem — todos os canais de informação, todos os serviços de informação — três minutos de Cultura por hora. Não custa nada”, disse o promotor, em declarações à Lusa, à margem da 15.ª edição do festival Alive, que termina hoje, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras.

O promotor revelou esta semana, em entrevista à RTP, que a Associação de Promotor de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), que junta os principais promotores de espetáculos e festivais em Portugal, propôs ao Ministério da Cultura que fosse criada uma quota de 5% por hora, de notícias de Cultura nos serviços de informação das televisões.

Hoje, Álvaro Covões explicou que a proposta foi feita, tendo em conta que “os hábitos culturais em Portugal são os mais baixos – não são dos, são os mais baixos – da Europa”.

“À semelhança do que aconteceu nas quotas de música portuguesa nas rádios, que teve um resultado fantástico, talvez fizesse sentido haver uma quota. As televisões também têm uma licença, como as rádios, portanto, achámos que fazia sentido”, afirmou.

À Lusa, o promotor afirmou considerar que “o desafio até deve ser lançado de outra maneira”.

“Sou muito contra a regulamentação, vivemos numa sociedade evoluída e os empresários, as empresas, os gestores, têm que também fazer aquilo que aprendemos na escola, que é autorregulação. Podiam dar o exemplo para a sociedade, até para tornar Portugal um país melhor”, disse.

Álvaro Covões acredita que pode acontecer com a Cultura o mesmo que acontece com a guerra na Ucrânia ou com o futebol.

“Nós, e bem, estamos a super informados sobre a Ucrânia. Muitos de nós já conhecem melhor a Ucrânia do que Portugal – isto não é uma crítica, é uma realidade – porque todos os dias entra em nossas casas toda a informação”, referiu.

Para o promotor, “isto significa que a televisão tem um impacto muito forte”.

“O mesmo acontece com o futebol, que tem muito tempo de antena. Se as televisões trouxerem na informação mais Cultura, se falarem mais sobre teatro, sobre literatura, sobre exposições, sobre dança, sobre ballet, sobre ópera e sobre música, se calhar nós portugueses começamos a consumir mais Cultura, ou pelo menos a conhecer mais”, defendeu.

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