Teatro Aberto. Miguel Guilherme protagoniza ‘O coração de um pugilista’

A partir do texto do autor alemão Lutz Hübner, que vai estar em Lisboa a assistir a uma das récitas da peça, cuja ação original se passa nos anos 1970, João Lourenço, diretor artístico e encenador do Teatro Aberto, e Vera San Payo de Lemos, que assina a dramaturgia, construíram uma versão que se passa até aos dias de hoje.

“Não queríamos um texto datado, e até é bom porque o autor vem cá e vai ver o que as palavras dele fizeram”, disse João Lourenço à agência Lusa.

É uma versão muito própria sobre a história, acrescentou, sublinhando que o desenrolar da ação vai acompanhando a “manha” do pugilista Leo a relacionar-se com o jovem Jójó.

De início, a apatia de Leo choca com a revolta de Jojó, que foi condenado a trabalho comunitário na sequência de um confronto com a polícia.

À medida que a ação se vai desenrolando, a tensão entre as duas personagens vai-se desfazendo à medida que Leo e Jójó vão partilhando as suas histórias, acabando por conquistar respeito um pelo outro.

“Como é que se leva a água ao nosso moinho com aqueles que a gente conhece […], aqueles que, às vezes, são autênticos animais”, precisou João Lourenço.

“O coração de um pugilista” centra-se, pois, “nesse jogo”, já que a peça “é uma parábola”.

E é um jogo “interessante para o público, ver como é que os dois se entendem e depois como é que resolvem cada um a sua vida a partir dali”, disse.

A versão construída por João Lourenço e Vera San Payo de Lemos podia chamar-se “Os sonhos de um pugilista”, acrescentou João Lourenço, sobre o protagonista do texto.

Interpretado por Miguel Guilherme, trata-se de um pugilista que veio da Rússia, à semelhança do texto original, mas que depois os criadores “levaram” para a então República Democrática Alemã (RDA), onde se “perdeu” depois da guerra, disse João Lourenço.

Sem nunca mais ter visto os pais, o pugilista foi para um orfanato, tendo depois exercido várias profissões até que se meteu no boxe, modalidade em que conquistou o título de campeão da Europa.

Segundo João Lourenço, o “cerne” da peça “não foi mexido”, embora lhe tenham dado um enquadramento, sobretudo ao nível “dos pensamentos, sonhos e desejos” do pugilista.

“É bom o público, e mesmo aquele jovem, ver que aquela cabeça [do pugilista] ainda sonha”, frisou.

Além do pugilista, que se encontra muito fechado naquela instituição para a terceira idade e sem horizontes, e do jovem, a ação conta ainda com uma enfermeira que trabalha no lar e que assiste ao modo como os dois homens se vão desafiando.

O confronto de gerações, a experiência de vida e a amizade são também temas de fundo de “O coração de um pugilista”.

Com encenação e cenário de João Lourenço, figurinos de Ana Paula Rocha, vídeo de João Lourenço e Jorge Albuquerque e som de Cristóvão Campos, a interpretar estão Gonçalo Almeida, Joana Pialgata e Miguel Guilherme.

Com sessões às quartas e quintas-feiras, às 19:00, à sexta-feira e sábado, às 21:30, e, ao domingo, às 16:00, “O coração de um pugilista” vai estar em cena na sala Vermelha do Teatro Aberto e terá uma antestreia na sexta-feira.

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